11 março 2014

O Oceano No Fim Do Caminho
Cris Compagnoni dos Reis05:39 0 comentários


Sempre que finalizo a leitura de um livro tenho muito a dizer sobre ele e com este a diferença foi que as palavras sumiram, já tem alguns dias que terminei de ler e estou sempre pensando na história e em como transcrever em palavras o que ela me fez sentir, acho que essa é a principal característica dos livros do Neil Gaiman: fazer com que o leitor de fato sinta algo quanto ao que lê, ainda lembro do medo que passei ao ler Coraline mas com O Oceano No Fim Do Caminho não foi medo, foi uma angustia profunda, impotência, me senti como aquele menino de sete anos de idade que se vê sozinho, em perigo e sem saber o que fazer.



A história é contada como se fosse uma lembrança, um homem volta para o local onde passou a infância para um velório e estar lá novamente faz com que ele reviva fatos ocorridos nos primeiros anos da sua vida. Por necessidade financeira seus pais alugam o quarto do menino que passa a dividir o quarto com a irmã, pouco tempo depois o homem que alugou o quarto é encontrado morto dentro do carro no final da rua onde se localiza a fazenda das Hempstock, é nessa ocasião que ele conhece Lettie Hempstock e mesmo ela sendo mais velha que ele acabam se tornando muito amigos. Lettie tem um oceano na sua fazenda, mesmo que para os adultos, possa parecer um pequeno lago.


A partir de então tudo vai ocorrendo de modo imprevisível e quando ele percebe está correndo um grande perigo, não sabe mais como agir, como fazer que seus pais acreditem nele, por sorte ele conta com a ajuda das Hempstock que são mulheres únicas em todos os sentidos. Apreciei muito como Gaiman vê e descreve o universo imaginativo das crianças, como ele coloca a diferença de visão dos adultos e dos pequenos: “Adultos seguem caminhos. Crianças exploram. Os adultos ficam satisfeitos em seguir o mesmo trajeto, centenas de vezes, ou milhares; talvez nunca lhes ocorra pisar fora desses caminhos, rastejar por baixo dos rododendros, encontrar os vãos entre as cercas.”

Além de vivenciar as angustias daquele menino, enquanto lia também relembrei a minha infância, pois como ele eu também viajava na imaginação, algumas vezes ainda acho que vivo em algum universo paralelo e meu corpo está aqui neste universo apenas fisicamente.  De alguma forma ler este livro me mostrou como é ser criança novamente, como as coisas mesmo sendo produto de pura imaginação são sérias, e podem marcar nossas vidas definitivamente. Em uma passagem do livro o personagem descreve os mitos, e eu descreveria essa história da mesma forma, usando a definição dele de mito: “...não eram histórias para adultos e não eram histórias para crianças. Eram melhores que isso. Simplesmente eram.”
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

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