19 setembro 2013

O meu contador de histórias
Cris Compagnoni dos Reis02:20 3 comentários

Tudo têm um começo e eu sei dizer exatamente quando me tornei uma leitura “voraz”, foi logo depois que concluí o Ensino Médio, passei no vestibular mas a universidade em que matriculei estava em greve e durante os seis meses em que essa situação perdurou um livro acabou parando nas minhas mãos, acabei lendo, gostando e indo atrás de outro, depois mais um e assim foi indo. Não fui uma criança ou adolescente que gostava de ler, não tive uma professora que me mostrasse o mundo mágico da leitura, não tinha livros na minha casa, mas num passado muito remoto alguém plantou uma sementinha.

Durante a infância ouvia muitas histórias, quase todas as noites a televisão da minha casa ficava desligada, eu e meus irmãos sentávamos no chão da sala e meu pai nos contava histórias, não havia livros por isso não sei qual era a fonte, algumas ele dizia que meu avô contava outras tenho certeza que eram a imaginação do pai voando solta. Lembro que meus primos sempre queriam ir posar lá em casa para ouvir as histórias do tio Vavá, pois segundo ele, só se podia contar histórias a noite, isso não era algo pra se fazer durante o dia.

Os temas eram variados e raramente repetia alguma história, quase sempre haviam animais que falam e personagens que se destacavam pela esperteza, inteligência e principalmente humildade. Pelas histórias hoje consigo perceber que no fundo o que meu pai pretendia era nos ensinar a sonhar através da fantasia mas ao mesmo tempo nos transmitir valores e fazer isso de forma lúdica e divertida.

Devo a minha popularidade no jardim de infância a estas histórias, eu reproduzia tudo o que meu pai contava, quando chegava na escola e meu colegas já iam me rodeando pedindo pra mim contar a história que meu pai tinha contado na noite anterior e eu sempre estava no centro das atenções me sentindo “a contadora de histórias”. Mas quem conhece o meu pai sabe do seu lado palhaço e nas suas histórias sempre tinha um palavrão ou outro, então além das história eu também era famosa por ficar de castigo todos os dias haja visto que estudava em um colégio de freiras um tanto rigorosas, ainda lembro do cheiro da tinta já que eu passava horas “cheirando a parede” no cantinho da sala de brinquedos.

Quando crescemos meu pai deixou de contar histórias, mas depois as redescobri dentro dos livros eu voltei pra esse universo do qual não pretendo sair jamais. Pra mim ler, principalmente fantasia, é reviver um pouco a minha infância, é não ter preocupação, é sonhar livremente, é ser criança de novo nem que seja por pouco tempo. Sempre penso que quando tiver filhos quero que eles também saibam apreciar uma boa história, infelizmente não herdei o dom do meu pai para que eu possa proporcionar isso a eles da mesma forma que foi oferecido a mim mas quem sabe o meu pai se torne um avô contador de histórias, entretanto, conjecturando a hipótese de que essa possibilidade não seja possível eu, como mãe, sempre poderei recorrer aos livros!
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Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

3 comentários :

  1. Orgulhosamente PUBLIQUEI uma 'chamada' para este ótimo artigo no NOVO SITE agregador de LINKS dos Blogueiros do Brasil (( http://omelhordos.blogueirosdobrasil.com/ )).

    Abraços cordiais.

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    1. Obrigada!
      Que bom que gostou do artigo, fico imensamente grata!

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  2. Gostei minha filha! Cris, as melhores coisas da vida estão em gestos simples como o de contar historias, onde você sonha, e muitas vezes sonhar é tornar a vida bela e colorida. Assim quando teus filhos vierem c
    om cearteza você sabera contar as historia que mhouviu na tua infâcia, pois com certeza pelo que te conheço vai repeti-las com um algo a mais, as historias do vava, como a do Burrinho de Nossa Senhora, que era a mais pedida, e quando o pai estava cansado dizia: hoje vou contar a do Macaco, conta a do Burrinho amanhã!

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