23 abril 2013

Descartes e uma leitura descartável!
Cris Compagnoni dos Reis00:22 0 comentários


É quando chega a hora de pegar um livro para ler que a dúvida ressurge: leio um clássico ou um best seller? Será um romance, uma aventura, infanto-juvenil, fantasia, suspense, é mais fácil de decidir, pois, vai de acordo com o meu estado de espírito no momento, agora, dentro dessas categorias ainda posso optar entre o consagrado e a novidade. Essa novidade é o que está na boca do povo, na lista dos mais vendidos, é assunto nas redes sociais, provavelmente será adaptado para o cinema, o marketing que envolve um best sellers nos cerca com um único propósito: vender. A qualidade deixa de ter importância, enxergou-se aí um nicho de comércio que nunca foi tão explorado como agora. Se um tipo de história vende, logo aparecem nas prateleira das livrarias muitas outras na mesma linha. Stephenie Meyer fez sucesso com a tão comentada Saga Crepúsculo, em seguida foram publicados dezenas de romances envolvendo vampiros e outros seres mitológicos, virou um fenômeno e até surgiu o termo “literatura vampírica”. Recentemente foi a trilogia de E.L. James que colocou a literatura erótica nas listas dos mais vendidos, e com isso as estantes ficaram entupidas com esse e muitos outros títulos de erotismo e sadomasoquismo.


A curiosidade é natural do ser humano, queremos saber do que todo mundo está falando, nos deixamos levar pelo modismo e pelo consumismo e assim compramos e lemos best sellers, levados por essa necessidade de conhecer os livros do momento. Com isso, vamos deixando de lado a leitura dos clássicos, como eles não estão na moda acabamos por coloca-los no final da nossa lista de leitura, algo que pode ficar pra depois, não damos prioridade ao que é bom de verdade, a aquela leitura que nos acrescenta algo, que nos faz refletir acerca de questões importantes, que nos faz crescer como pessoas. Não que um best sellers não faça isso, existem bons livros sendo escritos, mas dificilmente eles aparecem na lista dos mais vendidos.

René Descartes disse uma vez: “A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados.” Optar pela leitura de um clássico é fugir do supérfluo, da futilidade, é ter certeza da qualidade já que o que é bom não morre, e apesar das livrarias estarem infestadas de best sellers, elas ainda reservam um cantinho para os autores consagrados, e muitas vezes em edições novas que nos faz perder aquela impressão de livro velho e empoeirado, pois eles podem até não aparecer na lista dos mais vendidos, podem não ser assunto dos leitores, mas sempre serão lidos.

Não sou contra best sellers, muito pelo contrário, acho que eles são a porta de entrada para o mundo da literatura, é muito mais fácil alguém que nunca leu um livro começar por eles, são o pontapé inicial para novos leitores. Quem não é habituado com as letras pode estranhar a linguagem de um livro clássico, geralmente mais densas, que exigem consultas a um dicionário, e quando se presta atenção nisso a história em si fica um pouco de lado, a gente se atem a linguagem e não presta atenção na história, acaba achando o livro chato. Os best sellers tem uma linguagem mais fluida, um vocabulário mais coloquial, mais fácil de ser compreendido. Só que é fundamental evoluir como leitor, conhecer as boas histórias que não morreram com o tempo. Reconheço, tenho que ler mais clássicos, acho que o bom seria mesmo intercalar porque também não quero deixar de ler as novidades, se bem que é preciso selecionar bem as novidades que lerei, filtrar aquilo que vale a pena mesmo ser lido, e assim a minha lista de livros para ler cresce a cada dia, quando mais eu leio mais ela cresce, e os best sellers são aqueles que “furam a fila” e entram na frente dos que tinha me proposto a ler, é difícil controlar o meu lado consumidor quando entro em uma livraria, mas, no final das contas sendo clássico ou best sellers, o que importa é ler, por que ler é fundamental, sempre!

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Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

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