26 fevereiro 2013

Ciúme, chulé e um apelido ridículo
Cris Compagnoni dos Reis10:45 0 comentários



Relacionamentos amorosos sempre rendem histórias, elas podem ser românticas, engraçadas, tristes, dramáticas, reais, fictícias, boas e até mesmo ruins que sempre terão público, já que existem pessoas como eu que adoram saber da vida de um casal, Alexandre e Laura são o casal da vez nesse livro.

Resenha:

Laura acaba de ficar desempregada e está sem namorado, ela conhece Alexandre na festa de aniversário de uma amiga, ela tem certeza de que encontrou o homem dos seus sonhos, e já projeta todo um futuro ao lado dele fazendo desse homem que mal conhece o seu companheiro da vida toda. Eles começam a namorar e no início tudo acontece como Laura imaginara, mas aos poucos ela vai percebendo pequenas coisas em Alexandre que a incomodam, mas que ela acaba relevando, como por exemplo, o chulé insuportável do namorado que ela finge não sentir.


Com o tempo Laura desiste de procurar um emprego e a sua vida passa a se exclusivamente dedicada a Alexandre, sua filosofia passa a ser: “não custa nada fazer a vontade de Alexandre” e assim ela vai levando. O chulé do namorado vai ficando cada vez mais insuportável e ela começa a se incomodar com os apelidos ridículos com que ambos se tratam: Moma e Momo, mas é só quando Laura passa a perceber o ciúme excessivo de Alexandre que ela  passa a refletir sobre o relacionamento dos dois e até que ponto vale a pena se anular apenas para não estar sozinha.

O que essa reles leitora achou do livro:

Não vou mentir, a princípio eu não gostei mesmo, quase abandonei a leitura algumas vezes, ainda bem que não o fiz porque depois de um certo ponto, a medida em que ia virando as páginas a história começou a me parecer interessante. Laura conta a sua história em primeira pessoa, e inicia pela madrugada anterior ao seu casamento quando é tomada por uma insônia entediante e resolve narrar ao leitor a sua vida. Partindo dessa introdução e o modo como ela conhece Alexandre tive a impressão de que seria uma história de amor “perfeitinha” sem nada de extraordinário que valesse a pena ser lido, mas quando o ciúme do namorado ideal vai se revelando a história começa a ficar levemente cômica, e aos poucos essa comédia vai se transformando em algo sério e me levando a refletir a respeito da condição de muitas mulheres como a Laura.

Ela passa a viver para o Alexandre, faz de tudo para não desagrada-lo, satisfaz as vontades dele e nem se da conta de que as vontades e desejos dela são sempre deixados de lado. Laura se torna refém da condição de estar namorando por medo de ficar solteira, acaba se habituando a não ter vida própria, não ter voz nem atitude. A mulher bonita, jovem e, profissional bem conceituada apesar de estar fora do mercado de trabalho, deixa o seu futuro promissor de lado para ser apenas “a namorada de Alexandre”, um homem com um ciúme doentio que chega ao ponto de pedir que ela não use óculos usando a desculpa de que ela fica mais bonita sem eles mas, implica com o fato de ela usar lentes de contato, pois o verdadeiro motivo é que ele queria que ela enxergasse mal para que não pudesse ver e muito menos prestar atenção em qualquer homem bonito que pudesse passar por ela na rua ou em qualquer outro lugar.  Laura chega a esconder do namorado uma revista que gosta de ler, pois ele tem ciúmes dos modelos e atores que aparecem na revista. Mas o que me revoltou é que ela nem tem certeza de que gosta realmente dele.

Bom, essa é a história de uma mulher fictícia, mas eu conheço algumas Lauras, quantas delas existem por aí, não é? Infelizmente não é tão difícil encontrar mulheres que se submetem a relacionamentos destrutivos para satisfazer aquela velha cultura, embora muito presente na sociedade atual, de que a mulher precisa casar e ter filhos, que a felicidade está em ter alguém pra colocar uma aliança no dedo. Vinícius de Moraes diz em uma canção: “...é impossível ser feliz sozinho” discordo, apesar de achar a música linda, felicidade é algo que temos que sentir por nós mesmos e não buscar no outro, tem que depender da gente, só assim podemos fazer parte da felicidade de alguém e ao mesmo tempo, permitir que esse alguém complete a nossa.

Onde encontrar:

Ciúme, chulé e um apelido ridículo é um romance brasileiro de 2002, escrito pela Stella Florence, que eu até então não conhecia. Acredito que não deva ser difícil de encontrar esse livro nas livrarias, sebos e lojas virtuais haja visto que não é tão antigo.
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

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