06 novembro 2012

Divã
Cris Compagnoni dos Reis15:11 1 comentários


Têm uma Mercedes dentro de mim. É exatamente isso que senti ao ler Divã, será que só eu me senti assim? Minha relação com essa história é longa, antes de tudo assisti ao filme que foi inspirado no livro, amei a versão das telonas, ainda mais por ver a empolgação da minha irmã com ele, ela gosta tanto e, já viu tantas vezes, que já têm na memória muitos dos diálogos do filme. Depois veio o seriado, tive muita raiva ao descobrir, no final da segunda temporada, que não haveria uma terceira. E, algum tempo depois, a obra que originou tudo isso veio parar nas minhas mãos, pertence a minha irmã é claro, mas eu não deixaria de ler.

Esse é o segundo livro da Martha Medeiros que leio, e essa autora cresce cada vez mais no meu conceito, tenho a impressão de que ela me conhece, por isso escreve pra mim; as personagens dela tem alguma coisa minha ou sou eu que tenho algo delas? Não importa, sei que me identifico demais com as coisas que ela escreve, a forma como usa as palavras, é algo íntimo, que só eu sei sobre mim, apesar de que, agora, acho que a Martha sabe também.


Mercedes é uma mulher que resolve fazer análise, apesar de não acreditar nisso inicialmente, ela começa a se descobrir, a entender quem ela é. O livro é em primeira pessoa e se restringe as sessões que ela tem com Lopes, o terapeuta, esse é o momento em que ela fala abertamente sobre como é ser ela, tudo o que já viveu, o que quer viver, seus sonhos, aspirações, dúvidas, medos; seus devaneios, autocríticas, erros e acertos, arrependimentos, experiências boas e ruins; enfim, toda a complexidade que é ser mulher.

Ser mulher; acho que essa é a melhor definição sobre o que a Martha escreve, e concordo plenamente com o que a Lya Luft escreveu a respeito e, não vou resistir a transcrever aqui o que está na contracapa do livro: “Gosto demais do que a Martha escreve: toca em sentimentos sem ser sentimentalóide, é bem-humorada sem ser superficial, é irônica sem ser maldosa.” E assim é a Mercedes, como eu queria ser amiga dela!

Divã é uma viagem pela descoberta que a Mercedes faz de si mesma, e vamos nos descobrindo junto com ela, não têm nada de autoajuda (não gosto de livros desse estilo), é autoconhecimento, ela faz certas reflexões que eu nunca tinha feito, mas assim como ela eu também me culpo por não sentir certas culpas, e tenho muito mais coisas em comum com a Mercedes do que eu achava que tinha quando o meu conhecimento a respeito dela estava apenas na sua história nas telonas e na televisão.

Creio que Divã, mostra principalmente, como pode ser interessante ter uma vida comum, é difícil encontrarmos na literatura algum personagem tão fascinante que nunca tenha passado por nenhuma situação embaraçosa, uma aventura, um romance, uma fantasia, que não seja um herói nem uma mocinha. A Mercedes é uma pessoa comum como eu, como outros leitores, como a maioria das pessoas, não é famosa, não ganhou prêmio algum, nunca foi homenageada, não excepcional em nada, é apenas uma mulher; é mãe como muitas mulheres, passa por uma separação como muitas outras mulheres, e só quer descobrir uma forma de ser feliz, sendo quem ela é. 
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

Um comentário :

  1. É demais, sem dúvidas! Sei mesmo muitos dos diálogos da Mercedes, não canso nunca de ver o filme, ou ler alguma parte deste livro. Me identifiquei muito com a Mercedes, principalmente porque pra ela nao basta ser feliz, ela quer entender o porquê dessa felicidade. Parabéns pela postagem!
    P.s. Obrigada pelo presente :)

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