04 outubro 2012

Fora de mim
Cris Compagnoni dos Reis15:27 1 comentários


Amei, não tenho outra palavra para expressar o que achei desse livro. Não conhecia a obra de Martha Medeiros, já ouvi falar muito bem do trabalho dela, já assisti a filmes e seriados inspirados em um livro seu, mas esse foi o meu primeiro contado direto com as palavras dessa escritora. Ela ganhou mais uma fã.

Me encantei com o modo como ela usa as palavras, parece que é escrito diretamente para mim, mesmo se tratando de uma experiência que não vivi; enquanto lia tinha a impressão de estar conversando com uma amiga, é algo íntimo, pessoal, profundo, são sentimentos puros, sinceros.

Esse é um livro que fala de amor sem ser meloso, enjoativo, fala do fim de uma relação sem ser melodramático, descreve uma dor real, algo que eu ou qualquer leitor poderia sentir; e a medida que essa dor vai sendo superada, os fatos causadores vão sendo revelados de forma sutil, e vamos mergulhado cada vez mais nessa história.

Fora de mim é narrada em primeira pessoa, é como se a protagonista estivesse escrevendo uma carta para o ex, é sobre o fim de uma relação, como esse fim afeta uma pessoa, como se sofre ao passar por ele, como reagir, como superar. O livro se inicia no fim, no auge da dor é que vamos descobrindo o começo, o desenrolar dessa relação, e o porquê do seu fim. É uma história que conta como o amor surge, como ele acaba e como vivemos nesse ciclo vicioso.


Confesso que de início pensei que a leitura ia ficar na lamentação em que se inicia, mas não, me surpreendi a cada página, é uma narrativa cheia daquelas verdades que não queremos enxergar, me fez pensar em muitas coisas; como por exemplo, o quanto podemos mudar por causa de uma pessoa, as transformações que um relacionamento “novo” pode fazer conosco, alteram os nossos gostos, as nossas atitudes, a forma de pensar, nos tornamos outra pessoa para agradar a quem está conosco. Da mesma forma como podemos permanecer os mesmo fazendo assim com que o outro mude por nossa causa dependendo de como se dá essa relação.

E assim a história vai seguindo, vamos refletindo e descobrindo o que causou na protagonista aquela dor, aquele sofrimento que parecia incurável no início da leitura. E quando menos percebemos, a história acaba, não sem antes nos surpreender, levei poucas horas para ler esse livro, quando acontece parece que vivo a história mais intensamente, e a Martha conseguiu fazer com que eu sentisse realmente tudo o que a personagem sentiu, sofri junto com ela.

O final da história, que obviamente não vou contar, fez com que eu lembrasse muito de um verso de uma música do Tom Jobim: “Fundamental é mesmo o amor, É impossível ser feliz sozinho...” porque somos assim, não importa o quanto o amor nos faça sofrer, não vivemos sem ele, estamos sempre em torno de um amor, vivendo um ou em busca de um novo. Se fazemos direito ou não, eu não sei, mas estamos sempre tentando.


Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

Um comentário :

  1. Estou louca pra ler, desde que ganhei. O jeito como ela escreve é simplesmente sensacional! Ótimo post!

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