30 julho 2012

Ponte para Terabítia
Cris Compagnoni dos Reis16:52 2 comentários


Fazia tempo que um livro não me arrancava tantas lágrimas, foi aquele choro sofrido que vem acompanhado de soluços e tudo mais, ainda estou sob o efeito dessa história, que pode até ter sido escrita para crianças, mas acho que nenhum adulto poderia deixar de ler.

Dessa vez eu fiz o contrário, eu assisti o filme antes de ler, mas quando o fiz não tinha conhecimento do livro, isso foi em 2007 quando o filme foi lançado, eu lembrava superficialmente da história, ainda bem, e por isso a minha leitura não foi prejudicada. Engraçado que quando leio uma história ela fica por muito mais tempo na minha memória, dificilmente me esqueço de detalhes, e quando apenas assisto poucos anos são suficientes para que a lembrança dessa história se esvaia.

Peguei esse livro para ler por que depois de ler três biografias seguidas eu precisava de alguma coisa de fantasia, algo que me tirasse do mundo real, mal sabia eu que Ponte para Terrabítia é uma fantasia real, uma fantasia que acontece, é a pura imaginação das crianças, do mesmo jeito que eu tantas vezes fantasiei na minha infância e tenho tanta saudade, foi assim que aprendi a sonhar.


Essa é a história de Jess Aarons, um garotinho de 10 anos, o único menino da uma família pobre, tendo duas irmãs mais velhas e duas mais novas. Ele acaba de ingressar na quinta série, treinou as férias inteiras para ser o campeão de corridas da escola, mas no primeiro dia de aula a sua nova vizinha, uma menina esquisita que se veste como menino vai correr com os meninos e acaba ganhando.

Jess sempre se sentiu rejeitado na escola, não queria ser amigo de Leslie, a vizinha que lhe ganhou na corrida, pois achava que seria mais um motivo para rirem dele, já que ela era uma menina completamente diferente das que moravam ali, no interior. Leslie veio da cidade, seus pais eram escritores e muito carinhosos com ela; na casa dela tinha muitos livros e discos mais não tinha televisão pois seus pais acreditavam que o aparelho destruía o cérebro.

Mas o contato com Leslie foi inevitável, e a amizade que surgia entre os dois era cada vez mais forte, em pouco tempo eles começaram a brincar juntos em todas as tardes depois da escola. Terabítia foi como eles batizaram um bosque próximo às suas casas, para chegar até ele Jess e Leslie atravessavam pendurados em uma corda um riacho que há muito tempo estava seco, e só tinha água quando chovia muito.

Atravessar o riacho pendurado na corda era como passar por um portal, que os levava à um mundo mágico, Terabítia, um mundo só deles onde se coroaram rei e rainha, eram aclamados por seus súditos, lutavam contra monstros, se divertiam. Terabítia era o segredo deles, ninguém mais deveria saber.

Na escola eles sentavam longe um do outro, conversavam apenas na hora do recreio, protegiam-se mutuamente dos valentões da escola, e também sempre estavam junto no ônibus a caminho da escola. May Belle, a segunda irmã mais nova de Jess estava sempre atrás dele e morria de curiosidade de saber onde eles iam todas as tardes, e a professora de música era a única de que eles gostavam, e era a única que sabia da paixão de Jess por desenhos e o incentivava a continuar desenhando.

No Natal Jess queria muito dar um presente a amiga, mas não tinha dinheiro para tal, não adiantava pedir para os pais pois sabia que eles também tinham. Mas o menino ficou sabendo de um casal que estava doando os filhotes da sua cachorra, Leslie ficou tão contente e disse que esse tinha sido o melhor presente que ela já havia ganho. Da amiga ele ganhou um bloco de desenho e tintas, para ele não poderia haver presente melhor.

Com as chuvas da primavera o riacho encheu, e como Jess não sabia nadar ele tinha medo de dizer a Leslie que não queria ir para Terabítia, ele não poderia deixar que ela percebesse a sua falta de coragem, e a corajosa menina, mesmo debaixo de chuva queria ir para o mundo secreto deles e eles foram, mas Jess já havia decidido que no dia seguinte não faria o mesmo, inventaria uma desculpa qualquer para a amiga.

Fica muito difícil para mim explicar o que senti sem contar o final da história, por isso abrirei uma exceção para essa postagem. Recomendo á quem deseja ler o livro que pare a leitura desta por aqui.

No dia seguinte a professora de música de Jess ligou cedinho na sua casa e o convidou para ir com ela a Washington visitar um museu, ele nunca havia estado em um museu, pediu permissão para a mãe que ainda dormia e esperou que a professora passasse para buscá-lo. Pensou em chamar Leslie para ir com eles, mas resolveu não o fazer, pois ele nutria uma paixão secreta pela professora e pensou que aquela seria uma oportunidade de estar a sós com ela, e também Leslie já fora a muitos museus.

O dia de Jess fora perfeito, mas quando chegou em casa encontrou a sua família aflita mas aliviada por ele estar ali, a mãe disse que chegou a achar que ele havia morrido junto com Leslie, e lhe contou que a amiga caiu quando a corda em que eles se balançavam perto do bosque havia arrebentado e a menina bateu com a cabeça em uma pedra.

A essa altura da história eu quase não conseguia mais ler por causa das lágrimas, aquela menina diferente que chegou e mudou completamente a vida dele havia ido embora dessa forma trágica. Ela contava para eles as histórias dos livros que havia lido, criou com ele Terrabítia, o ensinou a sonhar.

O que mais me emocionou é a forma com que Jess passa por tudo isso, ele voltou a Terabítia para prestar uma homenagem a amiga, construiu uma ponte para que isso nunca mais voltasse a se repetir, e corou May Belle rainha daquele mundo. Ele sabia que em qualquer ligar em que Leslie estivesse era isso que ela desejaria que ele fizesse. Ele aprendeu a relacionar melhor com o pai e com toda a família, com a professora da qual ele não gostava também. Os pais de Leslie que havial se mudado para o interior apenas por causa da filha voltaram para a cidade, e lhe deixaram de presente todos os livros que eram da menina e a madeira para que Jess construísse a ponte.

A principal lição que eu tiro dessa história triste é que não podemos deixar de sonhar nunca, temos que ser como Jess que mesmo tendo perdido a sua melhor amiga ele nunca deixou de ir para Terabítia, levou a sua irmã para conhecer aquele mundo e a fez prometer que no tempo certo levaria a caçula também. Ele não deixou que tudo aquilo que Leslie lhe ensinou morresse com ela, nem o que eles viveram juntos, talvez tenha sido isso que deu força para que ele continuasse.
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

2 comentários :

  1. André Ribeiro de Santanaquinta-feira, 20 setembro, 2012

    Essa obra quebrou um dos meus paradigmas, fruto de uma criança machista: me fez chorar igual criança. Um choro libertador, que me tornou um homem mais livre.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também fiquei muito tocada com essa história André.
      Obrigada pelo comentário.

      Excluir