24 julho 2012

Adeus China, o último bailarino de Mao
Cris Compagnoni dos Reis17:39 3 comentários




Conheci um mundo completamente diferente lendo esse livro, isso sempre acontece quando leio um livro de fantasia, mas com uma biografia foi a primeira vez. ADEUS CHINA é a história de Li Cunxin contada por ele, que nasceu e viveu na China Comunista de Mao Tsé Tung.

Por mais estranho que possa ser, foi essa política chinesa de Mao que propiciou a Li Cunxin a oportunidade de deixar a China, de conhecer o mundo, e descobrir que aquele não era a melhor forma de se viver como se pregava lá. O conhecimento que eu tinha a respeito do Socialismo é aquele que adquiri na escola, Li Cunxin me mostrou o outro lado, o lado de quem vive sob esse sistema; fiquei impressionada.
Aos 11 anos de idade Cunxin foi selecionado, através de testes de flexibilidade realizados em várias escolas pelo país, para estudar balé na escola de artes comandada por Madame Mao, ele deixou a extrema pobreza de sua família e foi para Pequim, aprender algo que ele não fazia ideia do que era.

Fiquei imaginando o que seria para um menino de 11 anos, muito apegado a família, sair de casa, deixar pra trás a única vida que ele conhece, as únicas pessoas que ele conhece. Os pais e irmãos o incentivam a ir porque sabem que essa é a única chance que ele terá na vida de sair da condição de pobreza em que vivem, sabem que sob a custódia de Madame Mao Cunxin não passará mais fome.


Agora o que me impressionou foi a manipulação mental a que a população chinesa é foi submetida durando a gestão de Mao, a primeira coisa que as crianças aprendiam a escrever na escola é: “Salve o chefe Mao”, “vida longa ao chefe Mao”; e lhes era dito que no resto do mundo não se vivia tão bem quanto na China, que o comunismo os salvou; não se tinha qualquer forma de contato com outros países.

Mas a saudade de casa não afastou Cunxin do seu objetivo de não decepcionar a família, ele superou a saudade, as dores das aulas, a solidão e se dedicou com afinco a ser um bailarino. Com o passar dos anos e com muito esforço ele foi realmente se tornando um bailarino, mas sua meta era tornar-se o melhor bailarino, assim como os grandes bailarinos russos que ele via em um ou outro fragmento de espetáculos que lhes eram permitidos ter acesso na escola.

Certa vez um grupo de bale americano foi a Pequim se apresentar, Cunxim e um colega foram convidados a estudar bale por três meses nos Estados Unidos, eles nunca ousaram imaginar que um dia deixariam a China, que conheceriam a América. Depois dessa viagem Cunxin ficou obsecado por voltar aos Estados Unidos, aquele mundo até então desconhecido encantou o jovem bailarino chinês.

Foi nesse período que fasleceu Mao Tsé Tung, é por isso que Cunxin e seus colegas foram chamados de: “os últimos bailarinos de Mao”, pois foram os últimos a serem formados pelo governo de Mao. E devido a conflitos políticos Cunxin conseguiu autorização para ir novamente aos EUA para um curso de um ano, mas quando estava próximo do fim desse ano ele casou-se com uma americana e permaneceu no país.
Foi considerado desertor, traidor pelos chineses, passou anos sem notícias da família e sem que a família tivesse notícia dele; o casamento não deu certo. Por outro lado, ele fazia cada vez mais sucesso como bailarino, ser aplaudido passou a ser parte da sua rotina, da qual os exercícios doloridos e a dureza dos ensaios nunca deixaram de fazer parte.

Muita coisa ainda acontece na vida de Cunxin, mas se contar tudo vou acabar estragando a surpresa do livro. Sei que existe o filme homônimo, mas como aqueles que já são leitores frequentes do blog devem saber, nunca assisto antes de ler, mas tenho certeza de que deve ser emocionante, e que vai me arrancar lágrimas assim como o livro o fez.
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

3 comentários :

  1. É realmente uma historia linda de otimismo e força para vencer e ser livre

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  2. a história é realmente fascinante

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  3. Estou lendo agora e amando a leitura. Conhecer mais a fundo a cultura chinesa e como manipular uma população sofrida e pobre.

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