14 junho 2012

3096 dias
Cris Compagnoni dos Reis17:27 0 comentários


Acho que esta foi a primeira fez que terminei de ler um livro e não sei por onde começar a falar dele, acho que ainda estou chocada com a história, saber que os fatos são reais, que o livro é um relato, é um agravante nessa sensação de choque. Não me lembro de ter lido alguma ficção que descrevesse tamanha crueldade, é triste perceber que essas coisas acontecem mais na vida real.

Neste livro Natascha Kampusch conta em detalhes tudo o que passou durante os oito anos e meio em que ficou em um cativeiro; ela foi sequestrada aos 10 anos de idade e conseguiu fugir aos dezoito. Bem, eu não chamaria de sequestro, pois Wolfgang Priklopil nunca pediu resgate, para mim estaria mais para um rapto, mas o nome que se dá a esse crime não importa.

Aos dez anos de idade Natascha conquistou o direito de ir sozinha caminhando para a escola, e era a primeira vez que ela fazia o trajeto, também foi a primeira vez em que saiu de casa sem se despedir da mãe. Andando ela avistou na rua uma caminhonete branca parada e um homem alto escorado nela, pensou em atravessar a rua mas pensou que ele não faria nada com ela, ela não iria falar com ele, mas quando ela passou perto dele ele a pegou e a jogou dentro do carro, mandou ela se abaixar e ficar quietinha e assustada ela obedeceu.


O cativeiro de Natascha não tinha mais de cinco metros quadrados, e aquele seria o seu lar por mais de oito anos, no livro ela descreve toda a tortura psicologia a que foi submetida, e o relato explora muito esse lado, talvez por isso eu tenha achado a leitura um pouco enfadonha em alguns momentos, mas ao mesmo tempo é interessante saber como a mente da menina funcionou para que ela pudesse resistir a tudo a aquilo pela qual passou.
Quando Natascha chegou a uma certa idade em quem o sequestrador achou que já seria “adulta” ela pode sair do cubículo onde morava, passou a frequentar a casa dele, ela limpava, cozinhava, trabalhava como uma escrava sempre vigiada e era rotineiramente espancada. Em certa altura do livro ela começa relatar em detalhes esses espancamentos, já que durante o período em que esteve no cativeiro ela registrava tudo, como quantidade e localização dos golpes e a cor e o tamanho dos hematomas.

Ela não relata ter sofrido violência sexual, apesar de que, em algumas noites era obrigada a dormir na cama com o sequestrador, algemada a ele para que não fugisse enquanto ele dormia. Era obrigada a fazer o trabalho da casa em trajes íntimos, assim ela se sentia inferior, era sempre humilhada. Quando saída de dentro da casa para fazer algum trabalho no quintal, ela tinha que ficar sem calcinha para que não fugisse, mesmo assim era sempre vigiada.

Até que um dia, oito anos e meio depois, quando trabalhava do lado de fora da casa, Wolfgang Priklopil recebeu uma ligação no celular e se distraiu, a primeira distração dele em 3096 dias, Natascha fugiu, desnorteada, sem saber direito o que estava fazendo, avistou uma senhora em uma janela e pediu por ajuda.

Não sei se eu suportaria, é uma situação na qual não consigo me imaginar, para o mundo é como se ela deixasse de existir por oito anos, e depois voltar do nada, quando ninguém mais espera. Oito anos é muito tempo, ser submetida a toda aquela tortura física e psicológica por pouco tempo já seria traumatizante em demasia. Li em algum lugar na internet que pretendem adaptar essa história para as telonas, não sei dizer se já está em produção, mas sei que eu não quero assistir, é sofrimento demais.
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

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