18 maio 2011

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Cris Compagnoni dos Reis10:28 5 comentários


Imagino que, assim como eu, muitas pessoas foram no cinema assistir o filme O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON sem saber que a história era baseada em um livro, é, a sétima arte às vezes faz dessa com a gente. Não que eu não tenha gostado do que vi na telona, muito pelo contrário, adorei o filme, mas é que para mim, assistir antes de ler infringe a ordem natural das coisas.


Parece paranóia, mas se eu sei que o livro existe, tenho que ler primeiro; a impressão que tenho é que invertendo essa ordem não consigo tirar da leitura tudo o que poderia, a minha imaginação fica “travada”, presa as imagens que vi; não consigo visualizar rostos diferentes, cenários diferentes e tudo o que leio associo ao filme, por isso fica muito difícil falar do livro sem compará-lo a sua adaptação para o cinema. Em síntese, a história é sempre a mesma, só é vista por olhos diferentes.

Mas o que li também não é o texto original de F. Scott Fitzgerald e sim a adaptação em quadrinhos feita por Nunzio DeFilippis e Christina Weier e com ilustrações de Kevin Cornell. E de adaptação em adaptação vamos falar um pouco da história, aquela famosa história em que Benjamin nasce com 70 anos e vai rejuvenescendo ao longo da vida até morrer como um bebê.


Quanto ao seu nascimento, achei que foi mais realista nas telonas do que no livro, em ambos Benjamin nasce com 70 anos, mas neste ele é grande, um velho mesmo, fiquei pensando em como foi esse parto, o que aconteceu com a mãe? Tá, no filme ela morreu, mas no livro não. Como é que ela pode ter dado a luz à um adulto assim? Já nas telonas Benjamin nasce um bebê de 70 anos, ele é cheio de rugas, feio, idoso mesmo, porem no corpo de um bebê, o que torna o caso mais aceitável.

No cinema a família rejeita esse estranho bebê, a sua mãe morre no parto e o seu pai o deixa na porta de um asilo, onde ele é criado com muito carinho. Já no livro ele “cresce” na companhia de seus pais e tem que lidar com o preconceito do próprio pai que quer que ele aja como uma criança comum, brincando com chocalhos, comendo papinha; e a medida em que o tempo vai passando, o pai exige que ele brinque com as crianças da vizinhança e freqüente o jardim de infância. Pode se ter a impressão de que vivendo com a família a vida dele foi mais fácil mas eu penso que não, ele teria menos conflitos internos por não satisfazer a expectativa dos seus pais se fosse adotado e aceito como realmente é.

A paixão da vida de Benjamin também ocorre de forma distinta nessas duas adaptações, ela é mais romântica no filme onde o idoso conhece uma menininha que é neta de um dos seus colegas do asilo e ao longo dos anos a relação entre eles vai se distanciando cada vez mais da amizade e se aproximando da paixão, até que essa paixão realmente acontece quando os dois são jovens. No livro o cinqüentão Benjamin vai a uma festa com seu pai e conhece uma linda moça, muito mais jovem, se apaixona e se casa com ela. Nas duas versões da história se torna pai e se afasta do seu amor para continuar seguindo a sua sina de rejuvenescer a cada dia.

O fim da vida do protagonista tem muitas semelhanças nas duas versões, em ambas ele volta ao lugar onde nasceu, para ter os cuidados que todo bebê necessita. No livro é o filho, a nora e a baba de seu neto que cuidam dele, mesmo com certa rejeição que o filho sente por ele; já nas telonas quem se responsabiliza pela vida de Benjamin é a filha da senhora que o adotou no asilo, que tem um carinho de irmã por ele. Por qualquer ângulo que a história seja contada, ele morre como um bebê dormindo tranquilamente.

Não dá pra negar de que este é um caso estranho mesmo, Fitzgerald realmente deixou a sua imaginação correr solta quando escreveu esta história, e ele sempre afirmou que esta era uma de suas histórias favoritas, mas lamentava que não tivesse feito muito sucesso já que ele não viveu o suficiente pra ver a sua história se transformar em quadrinhos e arrasar nas telonas. Agora, minha intenção é ler o conto original para ver qual das adaptações bem sucedidas mais se assemelha a ele, o que não posso é ficar na dúvida!
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

5 comentários :

  1. Cris, eu preciso de um pouco do que esses autores geniais tomavam pra escrever... hehehe

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  2. Pode deixar que se eu descobrir onde esconderam esse líquido precioso eu lhe aviso!
    Hehehe

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  3. minha mãe disse que quando meu filho nascer, estarei tão velho que o nenê nascerá velho, como o benjamin button ! haha

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  4. O que é isso Rafa,
    tu ainda é um guri!
    Hehehehe

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  5. Ah! O livro é muito fantasioso... e o filme é "mais" realista. Gostei do que você escreveu, mas não fiquei com vontade de ler o livro. Histórias com mentiras demais não me agradam!

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