02 fevereiro 2011

O CLUBE DOS ANJOS
Cris Compagnoni dos Reis22:15 5 comentários


Quando pego nas mãos um livro do Luis Fernando Veríssimo já vou logo treinando um sorriso imaginando as histórias engraçadas que encontrarei dentro dele. Tento degustá-lo vagarosamente para poder curtir ao máximo, o que é muito difícil por que a leitura dos livros dele é tão leve que flui em uma velocidade alucinante que, quando me dou conta, a história já acabou.

Com O CLUBE DOS ANJOS não foi diferente, li a capa e contracapa com calma, depois passei pelas orelhas e fui abrindo o livro lentamente, acreditem se quiserem, mas eu leio até a ficha catalográfica com todas aquelas informações técnicas que não têm nada a ver com a história, tudo na tentativa de retardar o fim.

O livro conta a história do “Clube do picadinho”, que é um grupo de dez amigos que se reúne há anos para cometer o pecado da gula; o prazer pela boa comida é o que eles têm em comum, se reúnem uma vez por mês para jantar e a cada reunião um dos membros fica responsável pela comida, e nos meses de dezembro e janeiro não há reunião.

O clube tem esse nome por que quando eram garotos eles sempre se encontravam no bar do Albieri para comer o famoso “picadinho do Albieri” que todos adoravam, mas com o tempo o paladar desses amigos foi evoluindo e eles começaram a saborear pratos cada vez mais sofisticados.


Tudo seguia normalmente até que um dia um deles conhece um homem misterioso que diz ser membro de um clube semelhante no Japão que se reúne uma vez por ano para saborear o fogu (um peixe japonês venenoso) preparado por uma turma de estudantes de culinária que pretendem se tornar cheffs com especialidade nesse prato que pode ser fatal se não executado corretamente.

O risco de morrer logo depois de ter ingerido o peixe, já que os cozinheiros estão em treinamento, faz com que os degustadores sintam muita adrenalina, é isso que torna o clube estritamente restrito. Mas depois de muita conversa, esse membro do “Clube do picadinho” se convence de que esse estranho é um exímio cheff, e como ele será o responsável pelo jantar dos próximos dias o convidam para preparar a refeição.

O jantar é muito elogiado por todos, porem, em seguida, um deles morre; assim do nada, como se fosse envenenamento, mas outra causa é sugerida e aceita. Como o homem misterioso foi mais que aprovado como cozinheiro, o próximo membro a organizar a reunião também o convidou para tomar conta da cozinha, e outra morte ocorre no momento da sobremesa.

Todos começam a suspeitar do cozinheiro, mas a sua comida é tão boa que eles não cogitam a hipótese de ter uma reunião do clube sem a sua presença. A partir desse momento não é só a gula pelo próximo prato que une esse desfalcado grupo de amigos, mas também o mistério e a tensão de saber quem será a nova vítima. Eles não querem parar, não temem o fim da vida, mas sim viver sem o prazer de deliciar-se através do paladar.

Pra mim já era fato consumado que Luis Fernando Veríssimo é mestre na arte de fazer rir, depois desse livro passei a admirá-lo também pelas histórias de mistério, não que O CLUBE DOS ANJOS não seja engraçado por que o é e muito, mas aguçou muito mais a minha curiosidade do que o meu riso solto. Sinceramente acredito que só existe uma coisa que esse autor nunca vai conseguir fazer: decepcionar-me!
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

5 comentários :

  1. Ótimas história e resenha. Parabéns.
    O cozinheiro é um expert na arte de dar prazer e ceifar vidas. O livro é engraçado ou sarcástico?
    Todos sabem que vão morrer, mas como não se caracteriza o suicídio e sim o assassinato, preferem acabar a vida de um jeito, digamos, gostoso.
    Sugiro Érico!
    @davi_zecchin

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  2. EU li esse livro.........graças a uma indicação! Até o DAniel leu ! Muito legal essa história, e muito interessante os caras saberem que iam morrer nos encontros, mas mesmo assim comparecer....morrer com prazer !

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  3. o livro do peixe que mata kaopskpaosk *0* parece tão atraente e envolvente quanto o peixe :9
    eu lembro,mas não sabia que era do Luis Fernando Veríssimo.
    Eu acho que você realmente leva jeito pra fazer resenha, e contar as histórias.

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  4. Cris, atazanei tanto a minha mãe, que ela vai comprar esse livro pra mim sdhapushdau [isso pq eu to sem dinheiro, se não eu mesma comprava!]
    E você tem sim muito jeito de contar histórias sem se enrolar, tipo eu *-*
    Já estou com saudades! Beijo

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  5. Já li este livro, é fascinante. Pelo visto temos gostos literários bem próximos, rs. Parabéns pelo blog.

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