29 dezembro 2010

CLEÓPATRA E SUA VÍBORA
Cris Compagnoni dos Reis16:25 1 comentários

Sempre gostei de ler biografias, mas confesso que as da coleção Mortos de Fama são as mais divertidas, elas sempre trazem trechos dos diários dos biografados (fictícios claro) mostrando como eles se sentiam e o que deveriam ter pensado sobre cada acontecimento; e reportagens dos jornais da época e local em que esses personagens históricos viveram (também fictícios).

Mas vamos nos ater a Cleópatra, a última rainha do Egito, a rainha deusa, que neste livro foi ilustrada por Philip Reeve chamada de Cléo pela autora Margaret Simpson (já comentei em postagem anterior de outro livro desta coleção que adoro o modo como os autores parecem íntimos dos personagens chamando-os por apelidos).

Antes de ler CLEÓPATRA E SUA VÍBORA tudo o que eu sabia sobre ela é que foi rainha do Egito, era vaidosa, bonita e muito famosa, quanto a sua fama posso dizer que ela se evidenciou depois de que Shakespeare escreveu a peça Antônio e Cleópatra, conforme pude averiguar lendo WILLIAM SHAKESPEARE E SEUS ATOS DRAMÁTICOS; mas estava enganada quando a sua beleza, descobri que ela não era bonita.


Porém não ser bela não prejudicou em nada essa mulher, que era muito esperta e acima de tudo, inteligente. Cléo falava nove línguas, passava os dias estudando na biblioteca de Alexandria (que era a capital do Egito na época), escreveu livros sobre ginecologia, maquiagem, cosmética entre outros.

Mas o que ela sabia mesmo era administrar um reino, Cléo herdou um reino pobre e endividado, e quando morreu deixou um reino extremamente rico, visado principalmente pelo Império Romano que estava em pleno auge. Como ela fez isso? Ela soube cativar o seu povo, fazer com que gostassem dela mesmo não sendo de origem egípcia (sua família era de origem grega), aprendeu a língua, os costumes e adotou a religião, vestia-se como a deusa Ísis para que o povo a visse como tal.

Além de ser adorada pelos egípcios, ela era uma excelente estrategista e se valeu deste dom para conquistar o trono e manter-se nele. Também soube tirar proveito das suas relações com outros países, namorou dois romanos super-poderosos: Júlio Cesar e Marco Antônio, e sempre usou da sua engenhosidade para se sobressair de qualquer situação.

Quanto aos seus namoros, preciso explicar que ela não foi promíscua, namorou um de cada vez. O primeiro a aparecer na sua via foi Júlio Cesar, que lhe ajudou a reaver o trono que tinha perdido para o irmão. Cesar passou muito tempo em Alexandria por que tinha uma paixão em comum com a Cléo: os pergaminhos da biblioteca de Alexandria; ambos eram demasiado estudiosos, adoravam ler, e o mais poderoso romano vivo, apesar de ser um cinqüentão, apaixonou-se pela jovem rainha. E junto com o coração de Julio Cesar ela ganhou o apoio de Roma e conseqüentemente voltou para o trono.

Mas Cesar foi assassinado, e Cléo foi para Roma para a leitura do testamento achando que o filho que teve com ele teria herdado alguma coisa, mas quem herdou foi seu sobrinho Otaviano. Ela voltou para o Egito e seguiu governando o seu país, até que Marco Antônio ressurgiu na sua vida (ela o conheceu quando ele esteve em Alexandria, mas era apenas um soldado na época).

No início era apenas interesse por parte da rainha, ela não gostava nenhum pouco daquele romano que não era nada culto, não falava direito nem a sua língua, vivia bêbado, enfim, era um guerreiro. Porem ao que tudo indica Marco Antônio foi o grande amor da vida de Cleópatra (depois do Egito é claro), e ela ganhou muitas terras e tesouros com esse amor, já que toda vez que ele ia para a guerra ela era presenteada.

Cléo e Antônio tiveram um casal de gêmeos, ele ficou viúvo e pela primeira vez a rainha tinha a chance de se casar com um romano poderoso, mas ele se casou com a irmã de Otaviano, já que era romano tinha que casar com uma romana. Mas algum tempo depois ele não agüentou e voltou para Cleópatra, tiveram mais um filho.

Otaviano então começou espalhar por Roma que Marco Antônio tinha deixado de ser romano, que era egípcio agora, ele fez com que os romanos se voltassem contra o Egito. Marco ficou dividido entre o seu país e o seu amor; muitos dos homens do seu exercito o abandonara, pois não queriam lutar contra os seus compatriotas. E esse foi o fim de Marco Antônio, de Cleópatra e do Egito, que passou a ser uma província do Império Romano comandado agora por Otaviano que adotou o nome de Augusto Cesar.

Falando assim até parece que a história é trágica, e é mesmo, pois até mesmo Shakespeare contou parte dela de forma trágica, e quem sou eu para contradizê-lo; mas é essa história que mostra a mulher incrível que foi Cleópatra, e neste livro ela é contada de um jeito tão engraçado que eu até esqueci que era uma tragédia.

E onde entra a víbora nessa história? Bom, a Cléo se vestia como a deusa Ísis, e como ela sempre usava um adorno na cabeça que tinha uma serpente, afinal se ela era uma rainha deusa ela era superior ao veneno desse animal. Antes que eu me esqueça, a víbora também teve um papel importante na morte dessa rainha, mas se contar vou estragar o final da história!
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

Um comentário :

  1. Olá!!
    Muito legal seu blog!!!
    Gostei muito

    Abraços e feliz ano novo

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