20 novembro 2010

O QUE AS HISTÓRIAS DE DAN BROWN TÊM EM COMUM
Cris Compagnoni dos Reis18:27 3 comentários


Pensei em escrever esse post muito antes de postar qualquer um dos livros do Dan Brown no blog; pois queria falar do que acho das obras dele de uma forma mais geral, sem especificar uma ou outra. De certa forma foi por isso que as postagens anteriores foram exclusivamente dos livros do autor.

Quando li o segundo livro dele (não me recordo à ordem em que li, mas não foi a mesma em que foram escritos e nem que foram postados) já percebi várias características em comum com o primeiro; no terceiro elas se confirmaram e dali pra frente apenas tiveram algumas leves modificações, são elas:



·        Todas as histórias acontecem em 24 horas


Isso é muito fácil de ser observado, já que no início de cada capítulo é informado ao leitor a local e a hora em que determinado fato ocorreu, com a precisão de minutos. Portanto o livro pode até ser “grosso”, mas a aventura é curta!


·        Ocorre um assassinato logo no início


Essa é uma característica que apresente uma das leves modificações, pois em O SÍMBOLO PERDIDO Peter Solomon tema mão decepada quando seqüestrado, mas não é assassinado, pelo menos não no início.


Em PONTO DE IMPACTO alguém é assassinado em um dos primeiros capítulos, sinceramente não lembro quem, mas não era um personagem que tivesse algum “peso” na história, apenas para que o leitor percebesse que alguma coisa estranha estava acontecendo no Alaska, que foi onde ocorreu o assassinato.


Nos outros livros as vítimas tem bastante envolvimento com a história: em FORTALEZA DIGITAL o criptolólogo Ensei Tankado é assassinado na Espanha, em O CÓDICO DA VINCI o curador do Museu do Louvre Jacques Sunière é assassinado dentro do museu, e em ANJOS E DEMÔNIOS o padre e cientista Leonardo Vetra é assassinado dentro do maior centro científico do mundo, o CERN.


·        Também no início, alguém faz uma viagem urgente


O único livro em que a viagem não é feita com urgência é O CÓDIGO DA VINCI, pois o personagem Robert Longdon já estava em Paris para uma palestra quando a aventura se inicia, mas a viagem aconteceu uma vez que ele reside nos EUA.


Em PONTO DE IMPACTO Raquel Sexton vai para o Alaska em um avião super moderno da Aeronáutica Americana que permite percorrer a imensa distância em pouco tempo; em O SÍMBOLO PERDIDO Robert Longdon vai às pressas para Washington atendendo um pedido do seu amigo Peter Solomon; em FORTALEZA DIGITAL David é forçado a ir para a Espanha investigar a morte de Tankado; e em ANJOS E DEMÔNIOS Robert Longdon viaja com urgência á Europa no CERN para tentar identificar o assassino de Leonardo Vetra.


·        Alguma área da ciência está sempre presente


Não posso dizer por todos os leitores, mas em mim a ciência exerce certo fascínio, aguça ainda mais a curiosidade. Em FORTALEZA DIGITAL a Criptografia é muito explorada, Dan Brown até consegue fazer que ela pareça simples aos olhos do leitor; já em PONTO DE IMPACTO, a NASA marca presença, e com ela a Astronomia, a Oceanografia e até a Arqueologia.


As outras três obras do autor têm Robert Longdon como protagonista, e em cada uma delas ele é acompanhado em sua aventura por uma cientista diferente: em O CÓDIGO DA VINCI é a criptografa Sophie Neveau, e com ela a Criptografia; em O SÍMBOLO PERDIDO Katherine Solomon se dedica a Ciência Noética; e em ANJOS E DEMÔNIOS ele é acompanhado por Vittória Vetra  física que trabalha junto com o pai adotivo na anti-matéria.


·        O envolvimento de alguma forma de poder


Em PONTO DE IMPACTO o que está em jogo é a presidência dos EUA, que está sendo disputada pelo atual presidente e um senador. Já em ANJOS E DEMÔNIOS o Vaticano corre um grande risco de ser destruído e o Conclave de não acontecer, a Igreja Católica pode ficar sem um líder. Agora em O SÍMBOLO PERDIDO o poder que está em jogo é até então desconhecido, pois o vilão está atrás dos poderes sobre-humanos que a Pirâmide Maçônica pode lhe dar.


A segurança nacional americana é colocada em risco em FORTALEZA DIGITAL, pois o computador que controla todos os outros do governo americano é invadido por um vírus. E em O CÓDIGO DA VINCI é questionada a história de Jesus Cristo e assim colocado em cheque tudo o que ele representa para a Igreja Católica, sendo que está pode perder toda a sua credibilidade perante o mundo caso sejam revelados alguns segredos.


·        Capítulos não homogêneos


Os capítulos não seguem a mesma linha, enquanto alguns são curtíssimos, outros são bem longos e outros ainda ficam em um meio termo. Em todos os livros os capítulos não seguem uma seqüência lógica, sendo que um conta determinado fato em certo lugar com algum personagem, já o próximo capítulo vai falar de outro fato em outro lugar e com outro personagem, e o seguinte volta ao fato anterior ou mostra um novo com personagens distintos.


E assim os capítulos vão se alternando, contando histórias distintas que com o decorrer das páginas vão fazendo sentido em uma única história e focando nesta daí por diante.


·        Quanto às três aventuras de Robert Longdon temos ainda:


1.    Sociedades secretas


Algo que é secreto, por si só já nos deixa curiosos, instigados a descobrir tu a seu respeito. Em ANJOS E DEMÔNIOS fala-se dos Illuminati, já em O CÓDIGO DA VINCI desvendam-se os segredos do Priorado de Sião, e em O SÍMBOLO PERDIDO conhecemos muito da Maçonaria, que não é secreta mais é muito misteriosa!


2.    Envolvimento da Igreja


Em ANJOS E DEMÔNIOS ela é o foco principal, tanto quanto a ameaça ao Vaticano como a realização do conclave. Já em O SÍMBOLO PERDIDO a Igreja Católica em si fica de fora, mas muitos que desconhecem a Maçonaria lhe vêm como uma Igreja.


Agora O CÓDIGO DA VINCI gerou muita polêmica com religiosos, pois o livro de certa forma afirma que Jesus foi casado com Maria Madalena e teve filhos, e isso é uma afronta a Igreja Católica.


3.    Fatos históricos verídicos


Não é segredo para ninguém que a esposa do autor é historiadora e trabalha em pesquisas para ele. Conhecendo fatos que realmente aconteceram e misturando com fatos ficcionais Dan Brown consegue passar uma veracidade surpreendente nas suas histórias.


Conversando com alguns leitores percebi que muitos correram pesquisar na internet quando liam certas passagens e obtinham a comprovação deles em suas pesquisas. Fica difícil para quem não tem muito conhecimento de história distinguir a realidade da ficção, o leitor acaba acreditando, erroneamente, que tudo o que lê é verdade.


4.    A fictícia Simbologia


Acho que essa foi a grande sacada de Dan Brown, pois o seu protagonista em três dos cinco livros é um professor de Simbologia: Robert Longdon. Apesar dessa cátedra não existir na realidade, ela oferece muito status ao personagem, pois, alem de trabalhar na renomada universidade de Havard, símbolos podem ser atribuídos a ínfimas ciências, religiões, culturas,... Em fim, Robert é um personagem que pode protagonizar uma história qualquer trama e ainda ser o herói.


Um símbolo pode ter muitas interpretações, até mesmo aquela que o autor deseja. Símbolos são místicos, sempre aparecem envoltos em uma aura de suspense, envolvem crenças, mistérios. Não duvido que Longdon retorne em uma nova aventura.



Mas antes de finalizar esse post que já está bem grande, tenho algo a dizer: gostaria que Dan Brown me surpreendesse que eu não conseguisse enquadrar uma futura história sua nas características citadas acima. A impressão que tenho é que ele descobriu uma “fórmula do sucesso” e têm medo de sair dela, de procurar outras.


Não estou dizendo que as histórias são ruins, muito pelo contrário, gostei muito de ler todos os livros, mas confesso que esperava algo diferente quando li O SÍMBOLO PERDIDO que foi o último livro, até curti aquela ansiedade esperando o lançamento no Brasil porque tinha adorado os livros anteriores.


Dan Brown escreve de uma forma que prende o leitor à narrativa do início ao fim, não levei mais que três dias para ler cada uma de seus livros. Isso é perfeito para se formar novos leitores, gente que não têm o hábito de ler ou que nunca leu um livro na vida lê os livros dele e gosta muito, procura outros, se abre para a literatura.
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Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

3 comentários :

  1. Olá Cris,

    Achei ótima sua análise dos livros do Dan Brown. Ele trata de assuntos polêmicos, misturando ficção com realidade a ponto de não conseguirmos identificar esse limiar. Talvez seja um dos motivos pelos sus livros serem tão atraentes.

    A questão dos capítulos que você citou é peculiar. Eu particularmente acho muito interessante dividir a história dessa forma, pois é possível dar ênfaze a certos personagens, lugares, ... e retomar a história em seguida. Outro autor que escreve assim é o Stephen King. Na obra da Torre Negra fica muito evidente (que aliás é uma obra-prima).

    De repente, uma boa sugestão para uma nova análise seria sobre Stephen king, já que este sempre interliga seus livros com a Torre Negra e também tráz muitas história acontecendo em Portland, Maine.

    Tem também H.P. Lovecraft ... melhor parar por aqui!

    Um abraço a você e aguardo novos posts!

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  2. excelente post cris ! acho q o seu dom da matemática está perdendo espaço para o dom da escrita, continue assim, muito bom mesmo! os dois que mais gostei do dan brown foram: anjos e demonios, ponto de impacto. quando li o símbolo perdido, já sabia mais ou menos o que ia acontecer ...ficou muito previsível !

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  3. Sou passageiro recente, estava atras de uma critica sobre o Livro "Conspiração Franciscana" e achei seu blog.

    Muito interessante seus comentários. meus parabéns.

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