16 abril 2010

FELIZ ANO VELHO
Cris Compagnoni dos Reis18:10 1 comentários


Em uma narrativa explicitamente autobiográfica Marcelo Rubens Paiva relata em primeira pessoa a fatalidade que marcou sua vida deixando-o paraplégico aos dezenove anos de idade. Ainda bem que já li esse livro há algum tempo, já que hoje estou vivenciando a experiência de estar em uma cadeira de rodas, graças a Deus a minha condição atual é temporária (45 dias) devida a uma queda de moto; lembrei muito dessa história quando estava no hospital e resolvi encarar o acidente como férias não planejadas.

Mas voltando ao livro é impressionante como a realidade choca a gente, deveríamos ser habituados a ela ao invés de crer que coisas ruins acontecem, mas nunca com a gente, quando Marcelo Rubens Paiva mergulhou de cabeça em um lago durante uma farra com os amigos nunca poderia imaginar que este mergulho seria para uma vida completamente diferente a que ele levava.


O estudante, morador de república, cheio de amigos, assíduo freqüentador de festas e extremamente popular na universidade repentinamente foi parar na cama de um hospital, o lago era raso e ao pular fraturou uma vértebra da cervical, ficando condicionado a uma cadeira de rodas.

O livro fala exatamente desse período de mudanças e adaptações, sem aquele romantismo exacerbado que vemos atualmente com a cadeirante da novela das oito. A família, os amigos, os “rolos”, a dependência daqueles que o cercam para as atividades mais corriqueiras do cotidiano como escovar os dentes, na visão de um jovem e na linguagem dele, cheia de gírias, coloquialismos da década de 80, palavrões, ou seja, expressões que marcaram uma geração.

A superação não se lê no livro, esta poder ser vista hoje por qualquer um que acompanhe a carreira do dramaturgo, cronista, escritor e crítico Marcelo Rubens Paiva, que eu considero uma das mais importantes personalidades da literatura brasileira contemporânea, daqui a 50 anos adolescentes irão ler os livros dele para a aula de literatura e não irão achar chatos como os livros do José de Alencar (pelo menos foi o que eu achei).

http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/
Sobre o autor (a) Formada em Matemática e especialista em Estatística mas ganha a vida como bibliotecária e é viciada em livros. Facebook ou Twitter

Um comentário :

  1. O livro realmente é bom, ele consegue descrever até as sensações, de modo que agente, ao ler, passa a sentir o que ele sentiu. Espero que aconteça isso mesmo, eu até leria os livros da lista pro vestibular se fosse assim!

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